Gado e ouro: importância política. Fim de um ciclo.
Em 1668 Itabaiana se tornava distrito da Cidade de São Cristóvão de Serigipe d'El Rey, ganhando sua freguesia - a de Santo Antonio e Almas de Itabaiana - em 1675. Apesar de nunca encontrada a prata, foi encontrado ouro em 1695, a geopolítica, porém, conspirou contra: O Rei de Portugal proibiu a extração de ouro próximo da costa em 1703 fazendo com que ninguém mais o procurasse aqui. O outro e definitivo fator foi a descoberta de grandes jazidas em Minas Gerais a partir de 1695 e principalmente em 1702 que levou quase toda a então pequena população do Brasil para lá. Antes da proibição real, Itabaiana foi emancipada de São Cristóvão com a instalação da Vila de Santo Antonio de Itabaiana em 1698. O fim da busca em Itabaiana e mudança de foco para Minas Gerais determinou o fim da hegemonia nordestina e começo da hegemonia política e econômica do sul do país até hoje existente. Nos cem anos que vão desde a descoberta de Sabará (MG) em 1702, até 1800, Itabaiana assim como quase todo o Nordeste ficou esquecida. Somente ao fim do século é que a cultura da cana-de-açúcar volta a ser plantada com mais vigor no vale do Cotinguiba, vale esse que tinha parte dele no então enorme município de Itabaiana.
Fontes:
ABREU, Capistrano de. CAPÍTULOS DE HISTÓRIA COLONIAL, 6a Edição. Revisado, anotado e prefaciado por José Honório Rodrigues. Rio de Janeiro, Briguiet, 1976;
NUNES, Maria Thétis.Sergipe Colonial I e II, Tempo Brasileiro/UFS
Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Vários
ANTONIL, André João. Cultura e Opulência do Brasil. Officina Real Deslandesiana, Lisboa 1711. no Catálogo de Obras Raras da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. P.189.
O LENTO RENASCER ECONÔMICO
Das serras para cima a cultura do algodão crioulo e a criatividade das mulheres itabaianenses levaram Itabaiana a se tornar importante pólo beneficiamento e fiação de tecidos grossos que eram vendidos de feira em feira pelo sertão e até na capital da capitania baiana - Salvador. Por volta de 1800. Sem mais a ilusão do ouro que também já havia caído em Minas Gerais e no interior da Bahia, a cana de açúcar, o algodão e o gado que voltou a ter importância levou Itabaiana a se rebelar contra a Bahia pela independência de Sergipe em 1821 e até 1823 quando finalmente a independência do Estado - então capitania - foi consolidada. Jose Matheus da Graça Leite Sampaio, Capitão das Ordenanças, líder da rebeldia foi indicado para o primeiro Conselho de Governo como Presidente. Só por um mês.
Fontes:
NUNES, Maria Thétis.Sergipe Colonial I e II, Tempo Brasileiro/UFS
Anais da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro. Vários
ALGODÃO
A tradição do plantio de algodão levou Itabaiana ao auge depois de 1860, quando durante a Guerra Civil americana,os estados Unidos, então dominantes no fornecimento de algodão ficaram impossibilitados de atender ao mercado de tecidos da Europa. Roças de algodão se multiplicaram, fábricas de beneficiamento foram instaladas, entretanto, infelizmente Itabaiana não acompanhou a onda de instalação de teares que veio depois da guerra franco-prussiana depois de 1870 e sua economia, tão logo o mercado de algodão se normalizou caiu em decadência, perdendo a importância econômica para a jovem capital Aracaju, para Estância e Propriá. Assim mesmo, em 1871, quando sequer havia um metro de trilho assentado no Nordeste, o governo de Sergipe planejava construir uma estrada de ferro de Itabaiana a Laranjeiras, tal a importância econômica provocada pelo algodão.
Fontes:
Relatórios dos presidentes da Província de Sergipe. Vários.1835/1878
MOTIVOS DO ATRASO NO DESENVOLVIMENTO
Grande golpe sofreu o município quando da emancipação de Riachuelo, que levou a parte mais rica e produtora de cana de açúcar em1876. Em 1890 mais uma grande perda: a segunda parte mais rica e produtora de algodão foi desmembrada com a criação do município de Frei Paulo. Por fim, mesmo com o algodão em baixa, foi emancipado Campo do Brito em 1912 levando o restante da parte de maior produção de algodão e de criação de gado. Desde então Itabaiana passou a viver da pequena agricultura e do comércio. Estes dois pilares é que conduziram Itabaiana a ser o que é hoje: um município dinâmico, rico para os padrões nordestinos e centro que permanece dentro do Estado com a importância política e econômica de que desfrutou desde Melchior Dias Moréia.
Fontes:
Relatórios dos presidentes da Província de Sergipe. Vários.1835/1878
CARACTERÍSTICAS ECONÔMICAS
De desenvolvimento tardio, como vimos, o itabaianense sempre contou consigo mesmo, porém, quando algum investimento governamental foi feito ele sempre bem o aproveitou. Foi assim com a primeira estrada de rodagem inaugurada em 1928; com a segunda em 1953 - a BR 235 - que o levou ao contato menos sofrível com Salvador e o sul do país no lombo do caminhão, cortando a poeira dos sertões, primeiro para o oeste -Jeremoabo - depois para o sul - Salvador etc. - tornando Itabaiana proporcionalmente a cidade nordestina que mais tem caminhão. Nas décadas de 60 e 70 o Brasil se desenvolveu amplamente, porém em Itabaiana, sem maiores alternativas, o comércio dava sinais de cansaço e agricultura de sequeiro em minifúndios - tivemos uma reforma agrária natural, pela repartição das heranças - a nossa agricultura estava sendo engolida pelas novas técnicas de produção. A plantação de hortifrutigranjeiros era a solução, mas faltava a água na maior parte da área agricultável. A abertura da BR-101, asfaltada e cortando o caminho para o sul e para o norte revitalizou o setor de transporte e no início da década de 70, quem não tinha um caminhão na Rio-Bahia (BR-116) era considerado um pobre. As sucessivas crises do petróleo de 1976 em diante arrefeceram este ímpeto transportador, porém, um fato novo viria revitalizar a economia local: a partir de 1984 passamos a contar com dois projetos médios de irrigação - o da Ribeira e o do Rio Jacaracica. O resultado na produção e hortifrutigranjeiros foi tão bom que o comércio local se revigorou a ponto de atualmente fazer de Itabaiana um dos maiores centros de distribuição hortícola do Nordeste.
CARACTERÍSTICAS DO COMÉRCIO ITABAIANENSE
O comércio de Itabaiana é inexplicavelmente maior do que suportaria uma cidade com as mesmas características nossas. Este aspecto se deve exatamente ao fato de que, num movimento inverso aos primeiros aventureiros da prata e do ouro, nosso povo leva produtos e traz dinheiro. Um outro aspecto intrigante é que quase nenhuma rede de lojas consegue se estabelecer aqui por muito tempo; todavia, duas das maiores redes de supermercados do país foram gestadas aqui: a extinta rede Paes Mendonça e a Bom Preço. Seus proprietários começaram a vida de comerciantes nas feiras de Itabaiana ou de seus povoados, alguns deles hoje emancipados.